Ibovespa e real começam semana em tom positivo.

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por Lucas Hirata, Juliana Machado, Daniela Meibak e Victor Aguiar

Os mercados brasileiros começam a semana embalados por uma melhora no humor dos investidores, depois da correção que marcou o movimento da bolsa e do câmbio na semana passada e com a alta dos ativos internacionais na sexta-feira, dia de feriado local. O xadrez eleitoral, porém, vai continuar marcando presença sobre os negócios, enquanto os agentes de mercado aguardam por novas pesquisas sobre o segundo turno da eleição presidencial.
Os mercados de câmbio, juros e bolsa enfrentaram perdas nas últimas duas sessões, seguindo a piora global dos ativos, mas a correção passou longe de reverter o bom humor que persevera neste mês de eleições. Na semana passada, o Ibovespa acumulou alta de 0,73% e, em outubro, o avanço já é de 4,51%. Um dos principais termômetros de risco no Brasil, o juro de longo prazo – medido pelo contrato de juros DI para janeiro de 2025 – caiu de 11,32% para 10,68% na semana passada, marcando o maior recuo semanal de 2018. E o dólar comercial, por sua vez, cedeu 1,97% no mesmo período, a R$ 3,7786, enquanto acumula baixa de 6,42% em outubro.

Na sexta, com os mercados fechados no Brasil, os ativos negociados em Nova York tiveram
todos desempenho positivo: os principais recibos de ações (ADRs) subiram, incluindo Petrobras ON (3,30%) e Vale ON (2,07%), enquanto o maior fundo de índice (ETF) de papéis brasileiros teve alta de quase 3% em Wall Street. Os recibos dos bancos também avançaram, caso de Bradesco (2,63%) e Itaú Unibanco (2,64%), enquanto o índice de volatilidade atrelado ao ETF brasileiro – uma espécie de “medida do medo” – teve uma queda de 12,98%, em linha com o recuo da instabilidade global.

Com o alívio da semana passada, a bolsa já tem um dos melhores desempenhos mensais de 2018, enquanto a moeda brasileira assegurou um dos melhores movimentos globais em outubro. O que se observou, principalmente depois do primeiro turno da eleição, foi a busca por novos níveis de equilíbrio para o mercado local.

Especialistas apontam que o preço no mercado de câmbio já embute mais de 90% de chances de vitória de Jair Bolsonaro, candidato do PSL na corrida presidencial. A euforia no mercado também foi alimentada pela onda conservadora que tomou alguns dos principais cargos do Congresso, amenizando a preocupação sobre a governabilidade do capitão, caso seja eleito.

No entanto, daqui para frente, os investidores devem retirar o restante do prêmio de risco de maneira mais gradual dos mercados locais. A maior parte do “rali” dos ativos brasileiros já parece ter sido exaurida, de acordo com alguns profissionais de mercado. E por mais que a dinâmica local continue sendo o catalisador principal dos negócios, a pressão externa começa a ser incorporada aos preços. Para o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor, o câmbio, por exemplo, já mostra alguma acomodação, com uma “defesa” grande do nível de R$ 3,70.

A piora externa acaba não influenciando, no entanto, a ponta curta da curva de juros, que reflete a expectativa dos investidores com a estratégia de política monetária do Banco Central. Agora a aposta principal é manutenção do juro básico na próxima decisão, em 31 de outubro. Os juros futuros precificam 31% de chances de uma ligeira elevação, de 0,25 ponto percentual, da Selic no fim deste mês. E se agora é minoritária, essa probabilidade chegou a 80% às vésperas do primeiro turno da eleição.

“A perspectiva de uma taxa de câmbio mais baixa, ainda que não haja sinal a respeito das reformas, retirou parte do risco de desancorarem das expectativas de inflação, levando à forte queda do juros e adiamento da data esperada para alta da Selic”, escreve a equipe do Fator.

Fonte: Valor Econômico